Violência na Escola

 
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Imagem: Second Life
http://www.google.pt

Projecto Curricular de Turma - um exemplo de boas práticas
Opération Ruban Vert

"A relação pedagógica pressupõe a partilha na busca de uma sabedoria capaz de ajudar o adolescente a desenvolver-se pessoal e socialmente.
Digo aos meus jovens alunos que nada lhes ensino, apenas oriento a sua formação e informação. Tudo o que faço é motivá-los para uma aprendizagem de afectos."


G-Souto

Na perspectiva de facilitadora do acesso ao conhecimento, busco incansável, partilhar novos desafios com os meus alunos e vejo-os fervilhar a cada nova investida. 
Gosto de os despertar e depois deixo correr a criatividade. Me encantam sempre!
A violência nas escolas começava a fazer-se sentir. Nada como trabalhar o tema, inserindo-o nos currículos. Foi o que fiz! 

Ao surfar na Internet em busca de novos desafios, entrei no sítio web das edições Bayard. Um projecto estava aberto às escolas francesas. 

Por que razão não partilhar tal iniciativa?! Escrevi para a editora, perguntando se seria permitida a participação de uma escola portuguesa. A resposta chegou pela positiva! 

Comecei por abordar a actividade na aula de Francês LE, em Laboratório de Informática, com a indicação do sítio web www.okapi.bayardpresse.fr. Orientei o trabalho de pesquisa. 

Induzi os alunos a enviar um e-mail do grupo/turma a pedir autorização para adaptar o projecto Ruban Vert em Portugal. Transmito-lhes sempre o tratamento ético da informação aberta.

Na aula de Formação Cívica distribui uma ficha [montagem imagem/texto com apresentação bilingue da actividade].

Pedi aos alunos a recolha de informação directa - Charte Ruban Vert.

Apresentei o projecto ao meu Grupo de Estágio como componente da prática lectiva das diferentes turmas.

No Conselho de Direcção de Turma, propus a actividade para constar no Projecto Curricular da Turma e convidei os Professores a participar em transdisciplinaridade.

Nas duas turmas em que leccionava Francês, introduzi-a também nos respectivos Projectos Curriculares. 

Na página Français LE, criada com meus alunos no sítio web da escola, comunicámos aos penfriends dos vários países europeus com quem desenvolvíamos projectos de “Échanges Scolaires” .

Foi com grande alvoroço que recebemos a permissão da Okapi, bem como o kit Ruban Vert

Distribuíram-se tarefas por grupos. Apresentámos o pedido bilingue - Francês/ Português - ao Presidente do CE, solicitando permissão para desenvolver o projecto fora da sala de aula, com cedência de espaços para a apresentação do produto final.

Os diferentes grupos de trabalho elaboraram um esquisso e maquetas das actividades a desenvolver e exprimiram em língua francesa os objectivos a que se propunham: 

- Alertar contra qualquer tipo de violência nas escolas, respeitar a diferença e desenvolver o sentido de camaradagem.

A intervenção na comunidade escolar seria distribuída pelas seguintes actividades:


  • Recital de música [flauta]/textos [Francês LE]
  • Exposição de trabalhos
  • Distribuição de Ruban Vert, pins, desdobráveis e surpresas
  • Estampagem/Pintura da t-shirts "Ruban Vert"
Com o professor de Educação Musical e, numa estreita sintonia dos objectivos pretendidos, escolhemos as músicas de acordo com o tema:

ruban3.gif L'amitié
ruban2.gif La Violence

Surgiram-nos Miss Sarajevo e One , dos U2, e como complemento a mensagem What a Wonderful World , de Louis Armstrong.

Nas aulas de Francês e Formação Cívica, encetámos, em Laboratório de Informática, a pesquisa na Internet de pequenos textos em língua francesa. 

Optámos por textos da sabedoria ameríndia, versos de Camus, poesia contemporânea africana, escritos de Dhalai Lama e tradução livre do refrão do tema de Armstrong.

Empreendemos um trabalho intensivo de adaptação dos textos aos temas musicais, dicção, e estudo fonológico. Seleccionámos os melhores alunos em termos de expressão.

Os alunos elaboraram nas aulas de Francês LE (7.º ano/nível I de aprendizagem) e de Formação Cívica, textos curtos e apelativos para escrever em cartazes, desdobráveis, slogans, tiras de Banda Desenhada e escrita livre: textos poéticos.

Em trabalho de equipa, com as Estagiárias, elaborámos materiais de apoio e um pequeno guide pour un enfant citoyen (edições Bayard, adaptação livre).

Dadas as ideias diversificadas surgidas nos diferentes grupos, o trabalho, a transdisciplinaridade alargou-se a outras áreas curriculares disciplinares e não disciplinares:

  • Matemática (estatísticas para inquérito);
  • Ed. Tecnológica (estampagem/pintura do logótipo na t-shirt Ruban Vert); 
  • Ed. Visual/Área de Projecto (maqueta, mascotes, cartazes, mobiles, pins, lacinhos ruban vert);
  • Estudo Acompanhado (conclusão de trabalhos).

Como coordenadora, directora de turma, professora de Francês LE e Formação Cívica, reuni com os professores intervenientes: Educação Musical, Educação Visual/Área de Projecto, Educação Tecnológica, Grupo de Estágio, e mais tarde, com os alunos/porta-vozes das três turmas, e encetámos a planificação:


  • Levantamento de todo o material produzido;
  • Estudo dos espaços para recital e exposição de trabalhos;
  • Exercícios de correcção fonológica, dicção e colocação de voz;
  • Ensaios flauta/textos;
  • Marcação da data para intervenção na comunidade escolar;
  • Distribuição de tarefas pelos alunos implicados no Projecto; 
  • Reportagem em fotografia e vídeo a registar por dois alunos destacados.

As actividades desenrolaram-se sempre em trabalho de grupo e prolongaram-se pelos 2.º e 3.º períodos, até meados de Maio.

Os alunos e os Professores de Ed. Musical e Francês LE disponibilizaram muitas horas extra-curriculares para os ensaios de flauta e textos.

A Exposição dos materiais elaborados pelos alunos foi montada no Centro de Recursos e num dos painéis que lhe dá acesso.

Chegou o dia 29 de Maio! A azáfama e a excitação eram enormes! Alunos e Professores esmeravam-se nos últimos pormenores. 

A apresentação da Audição/Recital (flauta e textos) na Biblioteca/Centro de Recursos estava marcada: 11 horas para o turno da manhã; e 15 horas para o turno da tarde. Ao mesmo tempo, seria aberta à escola e aos pais a Exposição dos trabalhos. Foi feita a distribuição de laços ruban vert, desdobráveis, pins, autocolantes e surpresas.

A afinação das flautas, o ‘toque final’ na pronúncia dos textos, os alunos repórteres em acção, tudo trabalhado até ao último minuto!

O apoio dos responsáveis pelo Centro de Recursos, naquele ano, foi essencial.

Convidados, elementos do C.E. Pais e Encarregados de Educação dos alunos envolvidos, bem como toda a comunidade escolar, chegaram!

O espaço foi pequeno demais para acolher todos os que compareceram… e foram muitos!

A Opération Ruban Vert foi um sucesso! Os alunos portaram-se muito bem e dinamizaram de uma forma espantosamente empenhada e criativa a escola.

Também os alunos responsáveis pela reportagem de fotografia e vídeo foram incansáveis na cobertura de todas as actividades.

Em finais de Junho, ajudada por um grupo de alunos, reuni em portfólio a documentação a enviar às edições Okapi/ Bayard, conforme o solicitado.


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Estudar também é repartir
Também é saber dar
O que a gente soube dividir
Para multiplicar.(...)

José Carlos Ary dos Santos


G-Souto
Professora Titular /Formadora de Formadores *

27.07.2005

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Notas:

*A convite da Porto Editora, este artigo foi publicado mo sítio "Educare.pt" e esteve online durante dois anos.


Encontra-se publicado no sítio web corporativo para Professores de Francês Édu.FLE.net

Todo o Projecto, bem como as Actividades desenvolvidas fizeram parte do sítio web da Escola, nas páginas de Français LE, criadas para os meus alunos. Aí permaneceram até Junho de 2007. 


Sem que soubesse por que razão essas páginas foram retiradas e apagadas da memória virtual da escola onde sou Professora e Formadora de Formadores há mais de oito anos. 

Posso supor que a nova Lei de Avaliação de Professores foi a razão! 

20.02.2008



"Je crois véritablement que les individus peuvent faire la différence dans la societé"


Dalaï Lama (1992)

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eLearning Lisboa 2007 Conference



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Depois da eLearnig Conference - Towards a learning society, Bruxelas, 19-20 Maio 2005, da UE eLearning Conference 2006 - Technology Enhanced Learning – Catalyst for Change and Innovation, Espoo, Finlândia 04-05 Julho 2006, foi a vez de me deslocar a Lisboa em busca de novas paisagens no elearning.

Desta vez bem mais perto, a eLearning Lisboa 2007 - Connecting Innovation to People. teve lugar no Centro de Congressos de Lisboa e decorreu entre 15-16 Outubro 2007.

O programa era promissor, temáticas aliciantes, oradores bem conhecidos!


Não estava muito certa de ser seleccionada. Devido aos imensos afazeres de arranque de um novo ano lectivo, deixara quase para último dia a minha inscrição.

Tentadora era, no entanto, esta nova oportunidade de poder participar, ouvir, partilhar conceitos sobre os actuais paradigmas da evolução do e-learning, decorridos dois anos após as conferências de Bruxelas e da Finlândia.

Sob Presidência Europeia, Portugal não perderia a oportunidade de dar boa imagem do avanço na Educação e Formação pelo debate e intercâmbio de ideias entre todos os participantes.

Um conferencista prometia desde logo um diálogo vasto, já que criara uma grande expectativa com a publicação do seu último livro!



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Doctor Marc Roesenberg
eLearning Lisboa 2007
Fotografia © G-Souto*
 
Marc Rosenberg, o guru do elearning, consultor, escritor e orador de prestígio, é um veterano da formação, aprendizagem organizacional, elearning, gestão do conhecimento e melhoria do desempenho. Mas outros havia que me chamavam a atenção!

Não poderia ficar espectadora à distância, como já me acontecera com a eLearning 2006 na Finlândia. Nesta só pude participar na Conferência Virtual, embora tivesse sido convidada para me deslocar à Finlândia, esse convite nunca me chegou às mãos!?

Depois de me inscrever online na "eLearning Lisboa 07", aguardei! E continuei a entregar-me por inteiro aos novos alunos que me aguardavam nas salas de aula!

Essas eram as minhas preocupações do momento! Dedicar-me ao ensino e aprendizagem de novos digital kids, à consecução de projectos, e à integração destes novos aprendentes em:

Em fase de grande azáfama, organizei todas as minhas actividades de modo a deslocar-me a Lisboa. Exaustivo certamente seria! O ano lectivo começara num clima de grandes tensões internas e muito stresse!
 
Isso implicou esforço pessoal e económico! Mas, saí enriquecida de um encontro que apresentou e debateu os actuais caminhos neste reinventado mundo do elearning!
 
E a minha constante sede de actualização de percursos pedagógicos, nesta vontade inabalável de cativar os jovens para a escola do século XXI, não deixa que me afaste destes acontecimentos!

O perfil dos alunos mudou radicalmente nos últimos anos, é um facto. Há que saber acompanhá-los, orientá-los nos caminhos dos saberes para que adquiram autonomia nas competências que se pretendem para a nova sociedade do conhecimento. E que alarguem os horizontes das suas aprendizagens, segundo os novos paradigmas sociais, culturais e intelectuais.

Patrocinada pela União Europeia, e organizada por Portugal, a eLearning Lisboa 2007 reuniu oradores e participantes, na sua maioria professores e investigadores, vindos essencialmente da Europa. Marc Rosenberg, esse veio  dos Estados - Unidos.

Organizações como a Microsoft e Cisco Systems não podiam deixar de se fazer representar.

Destas, gostaria de salientar Kevin Johnson manager do sector para Educação na Europa, pela Cisco, Portugal, bem como o Diogo Vasconcelos. Pela Microsoft, Elena Bonfiglioli que nos pôs a par do investimento feito no nosso país, ligado ao programa de Cidadania.

Todas as intervenções tiveram como base as mais actuais experiências do eLearning como factor de assegurar a Coesão Digital e Social, requalificar a Sociedade do Conhecimento, e valorizar todos os cidadãos pelo uso das competências digitais de modo a melhorar a qualidade de vida e incentivar o lifelong learning.

Houve momentos teóricos, academicistas, alguns profundamente monótonos e nada originais. Notou-se uma repetição clara de oradores em várias sessões!

Penso que para a dimensão de participantes inscritos, talvez tivesse sido interessante, alargar prazos de modo a permitir um maior número de speakers.

As sessões variaram, mas assistiu-se, em algumas delas, a comunicações já ouvidas.

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Professeur Etienne Wenger
eLearning Lisboa 2007
 Fotografia © G-Souto*

Destaco com prazer Yves Punie, Markk Markulla, Etienne Wenger, e em extremos discutíveis, mas provocatoriamente interessantes, Vim Veen.

Estes os oradores que se evidenciaram pela qualidade das suas comunicações e pelo interesse que despertaram no debate com os participantes!

E claro está! Marc Rosenberg o keynote speaker e excelente comunicador foi o centro das atenções!

Fiquei satisfeita de me sentir enquadrada, pelo caminho que percorro, baseado na minha experimentação, ao ouvir estes oradores, ao longo de dois dias.

Conclui-se então que o blended learning (combinação de ensino presencial - em sala de aula - com ensino semi-presencial - ferramentas ou recursos online) é já um conceito praticado com sucesso e talvez o mais positivo nas comunidades de aprendizagem.

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NetWorks
Kimitsu Yogachi/Reuters 2007

Mas, regresso à escola. E aí... o sonho altera-se bastante! O meu entusiasmo esmorece! É que a escola continua a viver num ritmo muito diferente! E difícil é gerar novas mentalidades!

É urgente a Escola actualizar os currículos, de acordo com a nova tipologia de alunos, sob pena de se ver confrontada com um crescente insucesso, por parte dos alunos, e a desmotivação dos Professores que querem e sabem agir com processos bem actuais, apresentando conceitos e ferramentas de ensino e aprendizagem diversificadas, mas a quem não são dados os meios e... lhes cortam as oportunidades!

Espaços mais curtos de aula e o seu natural prolongamento com recursos educativos digitais concebidos e estudados segundo o novo perfil de aprendentes, numa vertente dinâmica e desafiadora, quer para Professores quer para alunos.

A cultura socializou-se! Os blogues, wikies, moodle, second life, as comunidades de prática vieram generalizar a partilha de informação.


Second Life

A nova geração que Rosenberg apelidou de "google generation" (e nós que privamos com ela nas escolas, sabemos como isto corresponde à realidade!) quer aprender melhor, em contextos que a desafiem e a compreendam, numa variante bem mais virada para a actualidade com que vive fora da escola!

Queremos continuar a utilizar os métodos descontextualizados dos alunos?

"É urgente educar para aprender e não para ser ensinado!"

É preciso ajudar a lidar com a informação, não para copiar, mas sim para avaliar, seleccionar, tratar!

É motivador desafiar para a partilha de conhecimentos em comunidades de aprendizagem na escola e para além dela, online!

Deixo então três palavras de Rosenberg:


  1. start small
  2. think big
  3. be ready to skill

G-Souto

11.11.2007
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* Fotografias ©G-Souto, capturadas por telemóvel 


Educação para a Sexualidade



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Fotografia: Valentina Petrova/AFP 2006


Incluir ou não incluir a Educação para a Sexualidade nos currículos escolares. Eis a questão!?

Há pouco dias, melhor no dia 1 de Junho - Dia Mundial das Crianças - a RTP2 passou, pelos vistos, em hora de desenhos animados, isto pelas 20H30, um filme sobre Sexualidade para maiores de 7 anos que deveria ser visto com acompanhamento familiar.

Houve protestos sobre o filme e sobre algumas cenas nele contidas.

Não o vi, por isso não vou debruçar-me sobre o seu conteúdo. Prefiro sim, explanar algumas das ideias que me suscitam estas questões.

Embora não directamente ligada a esta problemática, já que os meus currículos passam sobretudo pela Língua e Literatura Portuguesa e pela Educação para a Cidadania, este tema acaba por atravessar quase permanentemente as minhas aulas.

Os temas abrangentes, na análise do texto literário propriamente dito, nos debates, trocas de ideias, questões e interrogações que se geram em torno de textos informativos, e/ou formativos, assuntos de cultura geral, ligados à actualidade que a força e o lugar ocupado na vida dos jovens pelos media e pela Internet têm, é impossível manter afastado da sala de aula a temática da Sexualidade.

E acho saudável! É pelo diálogo esclarecedor que se chega à apreensão do verdadeiro conhecimento do saber ser, saber estar, para saber construir e também saber não cair.

Das várias questões que colocam, Pais e Educadores, penso que acima de tudo é bom relembrar que as crianças e os adolescentes vivem com seus Pais, e que não compete à Escola "ultrapassar" a função da família.


Adolescência
O Professor Daniel Sampaio, segundo li, acabou por afirmar no comentário do filme que os problemas da adolescência e a prevenção da gravidez precoce começam pelo acompanhamento adequado da criança na infância, logo, em ambiente familiar.

Uma razão de peso para a Escola não se sobrevalorizar e muito menos para as famílias não se desresponsablilizarem  das suas competências.

É aos Pais que compete estar atentos! Não aos Professores estar preocupados porque os Pais podem não estar atentos!

Não há que subverter papéis! Eles são os Pais, nós somos os Professores, moderadores, algumas vezes (muitas vezes!) e apoio dos adolescentes. Quantas vezes, os "alertadores" dos Pais para muitos problemas que observamos, no nosso dia-a-dia, em contactos com os adolescentes.

A Escola é, e deverá sempre ser um complemento da família nestas questões de educação (princípios, não aprendizagens e construção do conhecimento).

Não deve ser nunca a substituta da família na função educativa e formativa dos jovens.

Complementar sim, substituir não! Daí que haja actualmente tantos enganos!

Devo dizer que sou a favor da inclusão do currículo de "Educação para a Sexualidade" no percurso escolar dos alunos, mas nesta base. Sempre e só nesta  base!


A Cabeça no Ar
Manuel A. Pina
Quasi Edições


(...)
(embora sem ser)
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer.
E isto tudo a acontecer!
(...)

Manuel António Pina, A Cabeça no Ar, O Pássaro da Cabeça, Quasi Edições


G-Souto

13.06.2007
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Blogues em Educação

 

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Fotografia: Nicolas Kamm/AFP 2007


Participei como conferencista no 3º Encontro Nacional e 1º Galaico-Português de Weblogs que teve lugar na Reitoria da Universidade do Porto, 13-14 Outubro 2006.

Foi uma experiência interessante! A minha comunicação tinha por tema a aplicação de blogues no ensino em alargamento de aprendizagens e enriquecimento curricular.



O encontro "procurou juntar investigadores, utilizadores e interessados em weblogs em Portugal e na Galiza."

Na temática Aplicações Práticas de Blogues (ensino, organizações, investigação), apresentei um intervenção intitulada  O Blog no enriquecimento curricular- Blog dos Caloiros. 

 Avatar G.Souto

O artigo foi posteriormente publicado na Revista das Ciências da Informação e da Comunicação - CETAC e pode ser lido em Revista Prisma.com

Os blogues são sítios web fáceis de criar e encorajam imenso a interacção autor/leitores.

Podem ser um espaço de ensino interactivo excelente que dá lugar a um diálogo pessoal e colectivo, num espaço de  fresca liberdade.

A diversidade de blogues ligados ao ensino é grande! Pode integrar os blogues dos professores, blogues dos alunos, blogues das disciplinas (Agauded & Baltazar, 2005) e os blogues das escolas.”

Os blogues fornecem um grande potencial como ferramenta no âmbito do ensino e aprendizagem, já que podem adaptar-se a qualquer área, nível educativo e metodologia.*

Utilizo os blogues, nas áreas curriculares de Língua Portuguesa Francês LE  e Cidadania.

Os resultados têm sido excelentes! Os alunos sentem-se atraídos pelas novas tecnologias e nada melhor do que pôr as tecnologias ao serviço da construção de conhecimento.

Os blogues de que sou autora, alguns em colaboração com um grupo de alunos, têm portanto carácter científico-pedagógico e cultural.

Servem de apoio e prolongamento do ensino presencial e dos media tradicionais, complementado por um projecto e-learning Kidzlearn Lugares & Aprendizagens (Janeiro 2002) de que sou também autora, numa perspectiva de alargamento de saberese aquisição de novas competências.

É certo que alguns alunos ainda não têm acesso à Internet e outros preferem ficar 'pendurados' no Messenger, Myspace ou Tagen e agora já no YouTube e Hi5.

Mas, os mais interessados, possuidores de uma rápida capacidade cognitiva e de um ritmo de aprendizagem assaz invulgar, visitam diariamente os  seus blogues para conhecer e participar de novos posts e desvendar novos conceitos.



Levantam dúvidas sobre actividades de reforço curricular ou deixam um comentário, como se se sentissem conectados com a Professora em tempo real. Por vezes, até é! A qualquer hora e em qualquer lugar!

Afinal, foram estes jovens alunos que me motivaram a criar espaços web com actividades em alargamento de competências, enriquecimento curricular um clima de aprendizagem interactiva.

No conjunto, tem sido uma aprendizagem muito apelativa e gratificante, em espaço aberto, dinâmico, apoiado num diálogo informal e muito fresco nesta nova relação professora/alunos.

É sem dúvida a vontade, sempre presente, de cativar uma geração que vive imergida na web que me leva a criar espaços para a descoberta de uma aprendizagem interactiva e em constante mutação.


G-Souto

8.11.2006
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Referências:


Andrade, António - Comunidades de Prática,  Uma Perspectiva Sistémica, IQF -Nov@Formação, Nr 5, Junho 2005

Tiscar, Laura, Blogs de alumnos, 08.06.2005


Dos Livros de Pop Singers

 

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Madonna  (novo livro infantil)

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Kylie Minogue (livro infantil)
http://news.sawf.org/



Gostaria - em jeito de partilha - de falar sobre o impacto de figuras ligadas à música, cinema e outros meios de comunicação, no captar os indigos para o gosto pela leitura.

Não, não se assustem! Não vou falar de «Morangos com Açucar»! Isso são outras músicas...


Paul McCartney (livro infantil)

Talvez deva ser mais clara! Pegar em livros escritos por figuras mediáticas como Madonna ou Paul McCartney e agora Kylie Minogue (cantores pop que editaram livros recentemente) e ler curtos excertos, em determinados espaços escolares, nomeadamente nas aulas de Língua Portuguesa, em "Cantos de Leitura", criou novos leitores no meu grupo de indigos.

Com esta pedagogia de leituras diferentes, não catalogadas, tenho formado um boa plêiade de cativados leitores que passaram a fruir do enorme encanto de ouvir ler histórias, de ler com prazer e até de saborear a compra de livros com a sua própria semanada.

Nesta perspectiva mais aberta e dinâmica, não aboli as histórias de encantar. Estas jamais serão ultrapassadas, já que a beleza e o valor imanentes são de difícil equiparação.

Fazem parte do imaginário colectivo da humanidade.

Foi há bem pouco tempo que decorreram as Comemorações do Jubileu do Nascimento de Hans Christian Andersen (1805-2005) e quase todos os países do mundo aderiram às manifestações culturais projectadas pelo governo dinarmarquês e pela Fundação HCA.

A Biblioteca Nacional participou com uma esplêndida exposição sobre Hans Christian Andersen. E nesse espaço virtual, construímos depois em sala de aula momentos encantatórios de leituras.

Com que magia os indigos releram alguns dos seus contos favoritos!

Mas, de modo algum deixaria esquecidas as mais belas histórias que Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu para crianças.

Continuam a fazer parte dos meus itinerários poéticos e pedagógicos e, cada (re)leitura me abre novos caminhos de exploração vivencial que procuro transmitir com emoção.

Evocação belíssima de extasiante imaginação, frondosa e nobre lexicologia, em que os aromas se remisturam de memórias de infância e saberes, abrem um espaço fantástico na criatividade de jovens de várias gerações. Esta é a Sophia que continua a deixar-me extasiada.

São referências fundamentais da literatura infantil e juvenil portuguesa e universal, traduzidas em várias línguas.

Estou, no entanto, perante uma geração diferente: jovens ligados ao futuro, ao imediato, às tecnologias - mp3, Ipod, Myspace ou Tagen.

Uma coisa em comum demonstram! Dificilmente lêem, e juntam a isso um certo desencanto, absorvido pelo consumo rápido e descartável, já que os jogos, Internet, televisão e até muitos dos filmes que procuram, lhes mostram uma realidade demasiado palpável, e tantas vezes cruel.

Trazê-los ao prazer da leitura, aos livros impressos, continua a ser a minha utopia.

Sou uma leitora inabalável, apaixonada, compulsiva e vivo imergida no encanto das histórias contadas pelas páginas aromatizadas de um livro.

Colocados perante o meu enorme gosto de ler, transmitido mesmo sem querer, eis que lhes vou oferecendo outras leituras, a partir de obras criadas por cantores pop e não só! E ei-los devoradores de livros, também!
Ganhei uma batalha linda! Os indigos, tirando raras excepções, já adoram ler!

O meu primeiro passo para lhes cativar esse gosto é perfumar os últimos momentos ou curtas pausas de dispersão, em aulas longas - os conhecidos blocos de 90 minutos - com a leitura de curtos excertos de variados livros. E deixo que fiquem em suspenso...

As minhas primeiras obras alternativas foram "As Rosas Inglesas" - Madonna e "Lá no Cimo das Nuvens" - Paul McCartney, editadas por casas de grande prestígio, como Publicações Dom Quixote e Editorial Presença, respectivamente

Certo é que esta ligação livros/música tem uma enorme influência no imaginário dos meus jovens leitores.
Com aquele brilho quase imperceptível no olhar, vejo-os trazer para as aulas outros livros que vão tentando descobrir - o que acho óptimo! - pois eu só pretendo despertá-los para essa aventura maravilhosa que é ler!

Fazem-no com encantamento e grande alegria espelhada nos rostos. E envolvem-me com gestos soltos, vozes chilreantes:

- Professora, já comprei "O meu primeiro livro Dom Quixote"!
- Fui à biblioteca requisitar "O Príncipezinho" e estou a ler!
- Descobri lá em casa as "Fábulas de La Fontaine". Posso ler?

Os mais indecisos, ainda perguntam:

- Ó Professora! Quero comprar um livro! Tem alguma sugestão?

E lá vou relembrando outras histórias, já que tenho a preocupação de passear frequentemente pelas livrarias, na descoberta de novos livros para lhe poder oferecer como leituras.

Ao mesmo tempo, o meu sorriso rasga-se como um céu pintado de azul indigo.

(texto original, publicado em 05.02.2006)


Nota de rodapé - Levo sempre um livro diferente na pasta e quando começo as aulas, poiso-o distraidamente sobre a mesa, entre os livros e outros documentos. Os indigos, curiosos como só eles, vêm de mansinho espreitar os meus gostos... faço de conta que nem dou por nada!

- Professora! Hoje não lê?! - perguntam em determinado momento.

Os indigos trazem agora, por vezes, um livro e colocam-no muito direitinho em cima da suas mesas.

Ah! Também já se habituaram a distinguir a importância de uma 1ª edição! Não acham uma delícia?!


G-Souto

25. 07.2006
(reescrito)


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